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November 25, 2019

Relatório de Estabilidade Financeira do Bacen traz dados do cooperativismo

Em sua recente atualização, o Relatório de Estabilidade Financeira do Bacen trouxe em sua página 63 as seguintes informações:

“O mercado das cooperativas de crédito:

O estoque de crédito do Sistema Nacional de Cooperativas de Crédito (SNCC) tem crescido consistentemente acima do SFN nos últimos cinco anos – em junho de 2019, a taxa de crescimento anual alcançou 26% a.a., o dobro do crescimento observado no segmento de bancos privados. A representação do SNCC é de 4,5% do total do estoque de crédito, porém, ao considerar os nichos de mercado nos quais atuam, a representatividade do SNCC aumenta para 8,7% do crédito. Ainda que possua uma baixa participação do total do estoque de crédito, o SNCC teve papel anticíclico importante no recente período de retração econômica, principalmente para nichos de mercado como as PMEs e os produtores rurais. A presente análise busca contextualizar esse fenômeno, avaliando o perfil da carteira e a evolução do risco de crédito no segmento cooperativo.

Se, do ponto de vista de oferta, a expansão do SNCC proporciona um efeito positivo sobre a economia, sob a ótica de risco o aumento da carteira, suscita questões sobre a qualidade das concessões. No agregado, a expansão da carteira de crédito do sistema cooperativo ocorrida nos últimos três anos não foi acompanhada de uma piora da qualidade dos ativos. Observa-se que a participação dos ativos problemáticos na carteira do SNCC é consistentemente menor que o SFN, e que a deterioração ocorrida entre 2014 e 2016 acompanhou a tendência geral do mercado.

Na carteira de PF, o patamar mais baixo dos ativos problemáticos do SNCC em relação ao SFN reflete principalmente a concentração da carteira em tomadores de menor risco. A participação dos ativos problemáticos na carteira de PF do SNCC se estabilizou no último semestre, diferente do pequeno aumento observado na carteira de PF do restante do SFN.

A participação da carteira em tomadores com renda acima de dez salários mínimos é maior no SNCC, alcançando quase três quartos do total, contra 41% no SFN. A carteira de crédito do SNCC também tem um perfil diferente do SFN em relação à modalidade, com quase metade formada por operações de crédito rural, ativos que geralmente se caracterizam pelo baixo nível de risco. Por outro lado, a participação das operações de crédito pessoal não consignado, que têm risco mais elevado, é relevante na carteira de crédito do SNCC (21% do total).

Quando se consideram as características do produtor rural, observa-se que a dominância da faixa de renda mais alta pode ser atribuída ao fato de que a avaliação de rendimentos desse segmento está mais ligada ao faturamento da atividade rural do que ao montante efetivamente disponibilizado para o sustento familiar. Não obstante, a participação dos tomadores de renda mais alta também é observada nas operações de modalidades diferentes de crédito rural e agroindustrial e para cooperados que não são produtores rurais. A concentração das concessões em tomadores de renda média maior reflete positivamente no nível de risco da carteira de crédito.

A evolução dos ativos problemáticos por faixa de renda mostra que o risco da carteira no SNCC é similar ao do SFN em todos os segmentos, com exceção da faixa mais alta. Para tomadores com renda superior a dez salários mínimos, a participação dos ativos problemáticos no SNCC é inferior ao SFN, mas a diferença vem diminuindo nos últimos dois anos. Essa análise corrobora a avaliação de que o menor risco na carteira do SNCC é determinado, em grande parte, pela participação elevada de créditos concedidos a cooperados de renda mais alta.

Na carteira de PJ, a participação dos ativos problemáticos seguiu trajetória de deterioração similar ao SFN até o início de 2017. A partir daquele ano, houve significativa redução do risco das pequenas e médias empresas, enquanto a deterioração das grandes empresas manteve o nível de risco em patamares elevados. Por estar concentrada em empresas de pequeno e médio portes, a carteira do SNCC apresentou maior redução de risco que o SFN nesse período.

O perfil da carteira de crédito de PJ do SNCC também se mostra bastante diferente do SFN, tanto em relação ao porte das empresas quanto às modalidades utilizadas. As micro e pequenas empresas representam 78% da carteira de crédito a PJ do SNCC, enquanto no SFN essa proporção é de 36%. Também se destaca a participação das operações da modalidade capital de giro, que representam 53% da carteira de PJ do SNCC, bem superior ao observado no SFN (19% da carteira).

A evolução do risco de crédito da carteira de PJ do SNCC é positiva, uma vez que apresenta trajetória de redução desde 2017 e nível inferior ao do SFN em todos os portes de empresas. No entanto, observa-se que esse ciclo de melhoria dá sinais de que está se encerrando nos dois principais portes de empresas da carteira do SNCC. Nas pequenas empresas, o ritmo de queda dos ativos problemáticos vem desacelerando desde 2018, enquanto, nas microempresas, esse indicador já mostra pequeno crescimento nos últimos meses.

O risco das três principais modalidades de atuação das cooperativas, expresso pela participação dos ativos problemáticos na carteira, apresenta comportamentos distintos quando comparado ao SFN. Nas modalidades de crédito não consignado para PF e capital de giro para PMEs, aumentos recentes na proporção de ativos problemáticos mostram que o risco das carteiras do SNCC é similar ou até superior ao do SFN. Já na carteira de crédito rural para PF, o risco das carteiras do SNCC se mostra estável em patamar bastante inferior ao observado no SFN.

A análise realizada somente com os clientes que possuem operações de crédito rural tanto no SFN quanto no SNCC corrobora esse comportamento. Para esse grupo de tomadores, a participação dos ativos problemáticos na carteira de crédito em junho de 2019 alcançou 1,1% no SNCC e 2,7% no SFN, o que evidencia o menor risco dos produtores rurais no sistema cooperativo. Cabe ressaltar que esse não é um comportamento generalizado dos cooperados, mas específico da modalidade de crédito rural. A mesma análise mostra que, na modalidade capital de giro, os níveis de ativos problemáticos são semelhantes no SNCC e no SFN, enquanto, na modalidade crédito pessoal não consignado, já se observa uma materialização de risco maior no SNCC.

A forte expansão da carteira de crédito do SNCC nos últimos anos não comprometeu a qualidade dos ativos.

Para a carteira de pessoa física (PF), a elevada participação de tomadores de alta renda na carteira, especialmente produtores rurais, contribui para manter o nível de risco da carteira inferior ao observado no SFN.

Para a carteira de pessoa jurídica (PJ), a concentração da carteira em empresas de menor porte, que tem sua rentabilidade associada ao ciclo econômico, resultou em significativa redução dos ativos problemáticos nos últimos anos.

Por fim, assim como destacado para o SFN, tanto nas operações de pessoas físicas quanto nas de pessoas jurídicas, os dados apontam para o fim do ciclo de redução dos ativos problemáticos.”

 

 

 

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/relatorio-de-estabilidade-financeira-do-bacen-traz-dados-do-cooperativismo/

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August 11, 2019

Cooperativismo é a única saída para a humanidade

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Em uma sociedade marcada pelo individualismo e pela competitividade desenfreada, o cooperativismo aparece como um das formas sustentáveis para a manutenção de um relacionamento saudável das pessoas na busca por objetivos em comum, segundo o professor e filósofo Mario Sergio Cortella.

Autor de vários títulos sobre comportamento humano e questões sociais na atualidade, Cortella esteve no Estado recentemente para falar sobre a importância da responsabilidade social nas organizações para empresários de Venda Nova do Imigrante, a convite do Sicoob Sul-Serrano.

Ele ainda destacou, nesta entrevista exclusiva para a assessora de imprensa do Sicoob ES, Vera Caser, a importância da união como fator vital para a conquista de resultados duradouros e sustentáveis nos negócios e na vida em sociedade.

Confira a entrevista abaixo:

Professor Cortella, nesse mundo cada vez mais competitivo, o que as pessoas podem fazer para que a sociedade seja um pouco melhor?

O primeiro passo é entender algo que disse um dia Mahatma Gandhi, quando ele afirmou: “Olho por olho e uma hora acabamos todos cegos”. Portanto, há um limite para a competitividade. Ela precisa ser olhada como uma forma de estímulo ao aumento da nossa capacidade de ação, de trabalho e de produção, mas não pode ser a autofágica, destrutiva.

Ela não pode, de maneira alguma, ameaçar nossa capacidade colaborativa, porque nós somos animais muito agregados nas nossas relações de dependência. Deste modo, essa competição desarvorada, embora produza momentaneamente um nível de riqueza para uma parte das pessoas de maneira mais vigorosa, destrói parte do futuro, pois coloca uma condição que acaba gerando perturbações à vida em comunidade.

A competitividade também deixa um rastro de confrontos que acabam eliminando as condições de convivência. Por isso, a colaboração é uma marca que a gente pode ter.

Eu acho que uma das coisas que a gente deve formar, especialmente nas crianças e depois nos adultos, é a percepção de que na vida a regra jamais deve ser cada um por si e Deus por todos. Tem quer ser um por todos e todos por um.

Este é um movimento que melhora a condição de um futuro que seja muito mais integrado, mais feliz e que tenha uma abundância que não seja mero acúmulo.

O senhor poderia dar três dicas que as pessoas conseguiriam seguir no trabalho e que as ajudariam a criar um ambiente melhor no ambiente corporativo?

– A primeira dica é tentar organizar não apenas uma equipe de trabalho, mas uma turma.

Quando você estava na escola básica, tinha a sua turma. Você cresceu e hoje tem a sua turma de amigos, do clube, a turma de afeto, etc. A turma é aquela em que a gente dá o sangue pelo outro. Enquanto você tiver alguém da sua turma, pode ser que horário for, eles vão te socorrer ou estar onde você precisa. O espírito de turma é algo que é muito mais conectado do que o de equipe.

– A segunda delas é entender que hoje em dia a noção de competência tem que ser mais coletiva.

Há 30 anos, eu diria que a minha competência acaba quando começa o do outro. Hoje não mais. A minha competência acaba quando acaba a do outro, seja num grupo, numa área ou numa diretoria de uma cooperativa. Se alguém perde competência, eu perco. Se alguém ganha, eu ganho. Por isso, a regra mais inteligente para quem deseja estar no campo é: quem sabe reparte e quem não sabe procura, porque se alguém sabe algo e não reparte isso, ele enfraquece o grupo e a si mesmo. Se alguém não sabe algo e não pergunta, enfraquece a si mesmo, enfraquecendo também o grupo.

– A terceira grande condição é a presença da alegria.

O contrário de seriedade não é alegria, e sim descompromisso. Um grupo compromissado é aquele que se dedica à intenção do atingimento de metas e que faz aquilo que é necessário para o sucesso, sem perder a alegria. Ela move em nós energias que aumentam não só o nosso bem-estar, mas também a possibilidade de estarmos juntos de um modo que seja mais admirável. Claro que a alegria não é ficar brincando o tempo todo. A alegria é a possibilidade de não recusar os momentos em que a comemoração, o reconhecimento e a festividade devem vir à tona.

E na família, como os pais podem conservar a harmonia e um bom clima com os filhos para conseguirem competir com a internet e com as influências externas?

É uma consideração e uma orientação. A consideração é que a família não é e nem deve ser uma democracia. Adultos que entendam a família como uma democracia costumam fracassar no processo de formação dos filhos.

Uma democracia pressupõe direitos e deveres iguais. Numa família, os adultos responsáveis por crianças e jovens são as autoridades. Não há direitos nem deveres iguais. Que exista dignidade e respeito, não democracia, isto é, adultos que têm a tarefa de comandar, sem brutalidade e sem nada que arrisque a dignidade da outra pessoa, mas com firmeza naquilo que fazem.

Muitos pais acabam tendo uma submissão aos seus filhos e geram uma convicção muito perigosa nos jovens de que desejos são direitos. Desejos não são direitos, e sim vontades que precisam ser realizadas a partir de esforço.

Na minha casa, fizemos, quando meus filhos eram pequenos, a cada três meses, a semana sem micro-ondas, o que nos fazia ter que tomar todas as refeições daquela semana em conjunto. No começo, isso produzia um distúrbio, mas, aos poucos, aquilo se tornou um prazer imenso.

Outra coisa que fiz com os meus filhos e faço com os meus quatro netos é ensiná-los a cozinhar, desconectando-os e gerando neles a satisfação de terminar um prato, de ajudar, a servir e ouvir o outro dizer o que achou. É claro que você não vai colocar uma criança de quatro anos para manipular uma faca, mas ela pode lavar o tomate, descascar a mexerica, catar o feijão, e se envolver naquilo.

É muito comum você ter famílias que colocam os filhos para participarem da elaboração. A cozinha exige paciência, e o desenvolvimento dessa virtude faz com que a gente se desconecte daquilo que é desnecessário.

Você acha viável uma família propor uma semana sem internet, por exemplo?

Não tem necessidade, porque a internet está muito conectada ao nosso modo de vida, comunicação, capacidade de vigilância e trabalho. Mas, pode-se fazer com que ela seja colocada de um modo que não é contínua. Há muitas pessoas que já fazem isso hoje. Eu conheço muitos jovens de 18, de 20 anos que, quando chegam num restaurante, por exemplo, ou numa balada, fazem uma combinação de todos deixarem os celulares sobre o centro da mesa. Ou seja, é possível interromper a rotina de maneira que possamos ter outros olhares.

Como o cooperativismo pode contribuir para a transformação do meio em que vivemos?

O cooperativismo é a única alternativa que nós temos para não desagregar o conjunto da humanidade. Há muitas sociedades que são cooperativas, mas nas quais não há janelas para o termo cooperativismo. Eu conheço muitas comunidades – especialmente em nações indígenas no Brasil ou mesmo em grupos na África, nas sociedades tribais – que têm uma vida cooperativada, sem que haja o conceito formal ou a necessidade de organização de uma estrutura.

No conjunto da humanidade, o cooperativismo, com a sua percepção de trabalhar junto, de colaborar e de partilhar o resultado daquilo que tem, é a única maneira que temos de não apodrecer nossa condição de vida coletiva. Por isso, é sempre uma forma de orientação daquilo que vai impedir a falência da nossa capacidade de vida em conjunto. Portanto, não é isento de questões, problemas e turbulências. Mas, tal como disse Churchill, que a democracia é o pior dos modos de governo, exceto todos os outros, nós também podemos dizer que o cooperativismo é a pior forma de trabalho em conjunto, exceto todas as outras.

fonte: http://www.mundocoop.com.br/entrevista/mario-sergio-cortella-cooperativismo-e-a-unica-saida-para-a-humanidade.html

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April 11, 2019

Copom corta Selic para 5% ao ano

Meta para juros básicos do Brasil foi cortada em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira (30/10/2019).

Como esperado pelo mercado, e sugerido no último corte de juros no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu prosseguimento ao ciclo de redução da meta para os juros básicos (Selic) nesta quarta-feira (30).

Os juros de referência no país perdem agora mais 0,5 ponto percentual, indo a 5% ao ano – renovando o seu menor piso histórico. A decisão dos diretores do BC foi unânime.

Além disso, o BC sinaliza que, em dezembro, a taxa Selic deve cair para 4,5% ao ano, dizendo que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude”.

De acordo com o comunicado do Copom, “diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”.

Ou seja, a inflação segue sob controle, o que permite juros menores na visão dos economistas da autoridade monetária.

A taxa passa a valer a partir desta quinta-feira (31) e fica vigente até, ao menos, 11 de dezembro – quando as apostas médias apuradas pela pesquisa Focus apontam para nova tesourada do Copom, o que levaria a Selic aos 4,5% ao ano.

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/copom-corta-selic-para-5-ao-ano/

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October 28, 2019

Metas para cooperar com o mundo

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas priorizam uma sociedade mais justa, respeito ao meio ambiente e sustentabilidade. E as cooperativas estão fazendo seu papel.
No ano de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um documento que foi assinado por 179 países, incluindo o Brasil. De importância crucial para o futuro das nações e da sociedade, ele estabeleceu a Agenda 2030, um conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos a partir de uma longa experiência da ONU em promover uma sociedade mais justa e que respeite o meio ambiente.

São 17 objetivos no total, que convergem entre si. Integram temas como consumo sustentável, mudança climática, desigualdade econômica, inovação, diversidade, paz e justiça. Os ODS se desdobram, ainda, em 169 metas que integram a Agenda 2030.

Plano de ação para a humanidade
Esta Agenda é um verdadeiro plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. E um dos maiores desafios que ela traz é a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema.

Metas adequadas à realidade brasileira
Ainda em 2015, quando as ODSs foram lançadas, o Brasil criou um relatório pioneiro readequando as metas à realidade e às prioridades do País. De um total de 169 metas globais encaminhadas pela ONU, 167 foram consideradas pertinentes ao País. Foram promovidas alterações em 124 destas, adequando-as à realidade brasileira, conferindo mais clareza ao seu conteúdo original, ou quantificando-as com maior precisão. Em alguns casos, foram ampliadas metas já alcançadas pelo Brasil, como a taxa de mortalidade materna – a meta nacional é de no máximo 30 mortes por 100 mil nascidos vivos, contra uma meta global de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos. Também foram incluídos oito novos compromissos, como o que prevê a conservação de pelo menos 25% das zonas costeiras e marinhas.

Cooperação verde
Dentro do mundo do cooperativismo, ações como a do Sicredi estão ajudando no cumprimento das metas da ONU. Este exemplo de preservação do meio ambiente mostra como eles estão fazendo isso e atendendo a cinco metas simultaneamente.

No Paraná, a cooperativa de crédito criou o projeto Ecoeficiência, que tem como objetivo neutralizar as emissões de CO2 de suas agências dos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. A ação concluiu o plantio de nove mil árvores em 2019, que equivalem à neutralização de 3.516,2 toneladas de gases estufa.

As árvores estão no Parque Estadual das Araucárias, área de proteção ambiental que fica entre as cidades de Galvão e São Domingos, em Santa Catarina. “O apoio da Central e das demais cooperativas Sicredi é muito importante porque para nós esse é um momento histórico. O grande objetivo é fazer com que as emissões, que são inerentes a nossa parte operacional (luz, emissões de gás carbônico, consumo de papel), não causem impactos ambientais. Desta forma, estamos contribuindo com a conservação e restauração da natureza”, disse o presidente da cooperativa, Clemente Renosto.

A ação do Sicredi tem conexão direta com as 17 metas sustentáveis da ONU e, isoladamente, atende a pelo menos cinco das metas. Além de contribuir com o meio ambiente, o projeto do Sicredi reforça as raízes nas regiões onde atua. “Muitas empresas acabam optando por realizar ações para minimizar o impacto em lugares distantes, como a compra de créditos de carbono ou reflorestamento em outros países. No nosso caso, essa cerimônia de conclusão apenas comprova a nossa escolha por valorizar as pessoas, os associados e as comunidades onde atuamos, como afirma nossa missão”, explica o presidente Nacional do Sicredi e da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock.

A cooperativa mantém, desde 2017, o selo prata do Programa GHG Protocol, que tem parâmetros internacionais de controle de emissões de gases nocivos ao meio ambiente. No Brasil, o programa é coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As empresas devem contribuir com a meta assumida pelo País no Acordo de Paris: o acordo oficial prevê que, até o ano que vem, as emissões de gases sejam reduzidas entre 36,1% e 38,9%. “Independentemente do setor e do tamanho, as empresas causam impacto de acordo com suas atividades. Nosso propósito é sempre buscar melhorias de nossas políticas para darmos o exemplo para os nossos associados e para a comunidade”, ressaltou Dasenbrock.

Como o cooperativismo pode contribuir?
Em março deste ano, o diretor social da ONU, Maxwell Haywood, reuniu-se em São Paulo com líderes do cooperativismo mundial e autoridades brasileiras no Seminário Internacional “O Cooperativismo e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Combinando Impacto Econômico e Social por um Futuro Melhor”.

O evento, promovido pela Unimed do Brasil e pelo Sistema OCB, foi realizado para debater um plano de ações para os próximos anos para contribuir com a busca pelos 17 objetivos sustentáveis.

De início, o debate teve base nas grandes contribuições que as cooperativas podem dar para o alcance das metas, e seu trabalho, que já é feito há 170 anos no Brasil. Basta comparar as metas com os sete princípios básicos do cooperativismo: Adesão livre e voluntária, sem discriminação social, racial, política, religiosa ou de gênero; Gestão democrática por todos os membros; Participação econômica; Autonomia e independência; Educação, formação e informação; Intercooperação e Interesse pela comunidade.

Ninguém fica para trás
“Trabalhemos nas fortalezas das cooperativas enquanto juntamos os esforços para implementar a Agenda 2030 e assegurar que ninguém fique para trás”, disse Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo as agências internacionais, o trabalho humanizado é um mecanismo fundamental para a inclusão e a justiça social, disse Ryder, destacando o trabalho decente como um dos ODS. A ordem é que ninguém fique para trás e todos tenham direito ao acesso ao trabalho decente e bem remunerado.

A semente plantada em nosso País pelo cooperativismo mostra que o trabalho está no caminho certo. No Brasil de hoje, 46% de toda produção do campo passa de alguma forma por uma cooperativa. O cooperativismo é responsável por quase 11% do PIB agropecuário brasileiro. Cooperativas ajudam populações do interior a ter acesso a crédito, luz elétrica, educação e a diversos outros recursos preciosos. Já geram 370 mil empregos diretos em todo o Brasil e estão estimulando uma melhor distribuição de renda. Desse jeito, as 17 metas não parecem tão inatingíveis.


Conheça as 17 metas
1. Erradicação da pobreza: a ideia é acabar com a pobreza em todos os lugares do planeta e garantir o acesso de todos à educação, saúde, alimentação, segurança, lazer e oportunidades de crescimento.

2. Fome zero e agricultura sustentável: este objetivo consiste no alcance da segurança alimentar para todas as pessoas, além de uma melhor nutrição por meio da promoção de uma agricultura sustentável.

3. Saúde e bem-estar: sua meta é assegurar que todos os cidadãos tenham uma vida saudável e bem-estar, em todas as idades e situações.

4. Educação de qualidade: a educação deve ser acessível a todos, de modo inclusivo, equitativo e de qualidade. Além disso, deve promover a aprendizagem ao longo da vida.

5. Igualdade de gênero: todas as mulheres e meninas precisam se sentir empoderadas. A igualdade de gênero deve ser garantida em todos os setores da sociedade.

6. Água limpa e saneamento: o manejo sustentável de água e o saneamento devem ser garantidos a todas as pessoas.

7. Energia limpa e acessível: este objetivo procura garantir, a toda a sociedade, o acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável.

8. Trabalho decente e crescimento econômico: a orientação deste objetivo é promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, além das oportunidades de um emprego pleno e produtivo para todos.

9. Inovação infraestrutura: a infraestrutura das cidades deve promover uma industrialização inclusiva e sustentável, fomentar a inovação e gerar oportunidades de emprego. Além disso, deve integrar a sociedade para uso inclusivo dos espaços públicos.

10. Redução das desigualdades: este objetivo consiste na busca pela redução das desigualdades em todas as suas esferas.

11. Cidades e comunidades sustentáveis: as cidades e os assentamentos humanos deverão ser inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

12. Consumo e produção responsáveis: com apoio das instituições públicas e privadas, deverão ser assegurados padrões de produção e de consumo que sejam sustentáveis e conscientes.

13. Ação contra a mudança global do clima: deverão ser tomadas medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e reverter os seus impactos.

14. Vida na água: os ecossistemas aquáticos e recursos hídricos também devem ser respeitados, por meio da conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e rios.

15. Vida terrestre: o objetivo indica a proteção, recuperação e promoção do uso sustentável dos ecossistemas terrestres. E também o manejo sustentável das florestas, o combate contra a desertificação e a adoção de medidas para reverter a degradação do planeta e a perda da biodiversidade.

16. Paz, justiça e instituições eficazes: as sociedades deverão ser pacíficas e inclusivas, proporcionando para todos o acesso à justiça. As instituições devem ser eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

17. Parcerias e meios de implementação: o último objetivo prevê uma parceria global para a sustentabilidade, fortalecendo os meios de implementação.

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