0
October 14, 2019

O cooperativismo de crédito e a regulação para a proteção de dados

Um novo e grande desafio se avizinha para as empresas brasileiras de todos os ramos. A Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD (Lei 13.709/18), que entra em vigor em agosto do próximo ano, estabelece direitos, deveres e princípios que deverão ser considerados sempre que houver algum tipo de tratamento de dados pessoais de consumidores e usuários de serviços. Essa legislação é aplicável a todos os setores da economia e a empresas com sede no exterior, como Facebook e Google, quando atuantes no País.

Os efeitos desse novo marco jurídico vão respingar fortemente no setor financeiro que tradicionalmente lida com dados extremamente sensíveis de seus clientes, e que vão muito além do nome e do registro dos seus documentos. Não podemos esquecer que bancos, cooperativas de crédito, financeiras e outras instituições atuantes nesse mercado coletam, armazenam, compartilham e, muitas vezes, também promovem o tratamento de informações extremamente pessoais, como é o caso dos perfis de crédito, dos ativos e das dívidas dos correntistas, sejam eles mutuários ou investidores.

Para lidar com a LGPD, as empresas brasileiras precisam iniciar, de imediato, o processo de adequação, que impõe preparação técnica e gerencial de modo a atender ao rigor da legislação. E isso é urgente, pois, segundo especialistas, esse trabalho pode durar de 6 a 12 meses e consumir pesados recursos humanos, tecnológicos e de governança, notadamente investimentos em segurança digital e treinamento.

Um bom planejamento para a implantação adequada da LGPD na organização não pode prescindir de etapas como definição de políticas e orçamento, mapeamento dos processos vinculados, adequação dos contratos, avaliação dos sistemas e capacitação dos funcionários dos níveis técnico, gerencial e de relacionamento com o cliente.

Lembro aqui que a nova legislação prevê pesadas sanções em face a seu descumprimento que incluem desde advertência, multa a até uma possível proibição das atividades relacionadas ao tratamento de dados pessoais. As multas podem chegar a até 2% do faturamento do ano anterior da empresa, limitadas a R$ 50 milhões, por infração.

Para exemplificar a “mão pesada da lei”, recentemente, no Reino Unido, país que já possui legislação em vigor, a British Airways foi multada pelo Information Commissioner’s Office (ICO) em mais de R$ 900 milhões por vazamento de dados pessoais de seus clientes, causado por invasão de seus sistemas por hackers.

Com relação às Cooperativas de Crédito, que atuam em mercado altamente fiscalizado e regulado e num ambiente de negócios cercado por medidas de segurança e proteção ao sigilo, com pesados investimentos em tecnologias e processos contra invasões e vazamentos – até pela natureza da atividade e dos serviços que oferecem -, urge redobrar a atenção e a prudência para se adequar tempestivamente à nova legislação e ao zelo do regulador Banco Central do Brasil.

O BCB, preocupado com a segurança e solidez do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, divulgou, em abril de 2018, a Resolução CMN 4.658, que antecipa a necessidade, para as instituições financeiras, da gestão urgente do risco cibernético, preconizado pela LGPD.

A Resolução dispõe sobre a política de segurança cibernética e alguns procedimentos a serem adotados no momento de contratar serviços de processamento e armazenamento de dados e de computação em nuvem. Segundo o Diretor de Regulação do BCB, Otávio Damaso, a Resolução busca maior proteção do sistema financeiro frente aos riscos decorrentes da crescente sofisticação dos ataques digitais.

Para evitar situações adversas, como a que passou o Banco Inter, em maio de 2018, que sofreu vazamento dos dados de quase 20 mil pessoas, entre correntistas próprios e correntistas de outros bancos, vale a pena investir em ações preventivas e no cumprimento da legislação, evitando assim perdas financeiras e de credibilidade, muitas vezes irrecuperáveis.

Nesse sentido, a nova regulamentação, estabelecida na Resolução 4.658, é extremamente importante ao passar a exigir das instituições financeiras, incluindo as Cooperativas de Crédito, práticas efetivas na gestão de riscos, no compliance e controles internos dos dados capturados, bem como certificações de governança corporativa e de sistemas, especialmente nos casos em que há perigo de exposição de informações sigilosas dos correntistas e associados.

Os procedimentos operacionais exigidos pela Resolução em destaque envolvem desde a realização periódica de testes e varreduras para detecção de vulnerabilidades, até o uso de mecanismos de rastreabilidade, normas de segurança contra acessos não autorizados, controles de acesso da rede de computadores e a manutenção de cópias de segurança dos dados e das informações. Mas, atenção: é importante entender também que o atendimento a essas normas não é um compromisso exclusivo da área de TI. Todas as áreas devem ser envolvidas na constante busca por segurança cibernética, incluindo os colaboradores.

A Resolução 4.658 já está em vigor, sendo importante começar desde já, na sua cooperativa, as medidas internas para adequação à nova legislação, até porque não sabemos quando e de onde virá o próximo ataque cibernético que poderá ferir mortalmente o nosso negócio e expor nossos cooperados a situações por vezes vexatórias. Vale a reflexão: o quanto isso compromete a instituição? Como o descuido ou a falta de cuidado pode levar a impactos muitas vezes nocivos à imagem da empresa? Quais seriam os efeitos na credibilidade de todo o cooperativismo financeiro no caso de vazamento de informações sigilosas e estratégicas de cooperados?

Face à importância do tema e entendimento de todo o processo envolvido, advogados especializados na área estarão entre os palestrantes do 2º Fórum Integrativo Confebras, que será realizado nos dias 10 e 11 de outubro, no Centro de Convenções Parque Cidade Corporate, em Brasilia.

Afinal, a segurança e proteção de dados nunca esteve tão em evidência no cenário nacional, de forma a impactar a todos os setores, sem distinção. Nós, do segmento cooperativista, vamos unir forças para estar à frente deste desafio e trazer ainda mais segurança a todas as pessoas que utilizam os serviços de nossa rede em todo o País.

Kedson Macedo é Presidente da Confebras e Diretor Executivo na Cooperforte

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/o-cooperativismo-de-credito-e-a-regulacao-para-a-protecao-de-dados-por-kedson-macedo/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+CooperativasDeCreditoNoBrasilENoMundo+%28Portal+do+Cooperativismo+Financeiro%29

0
July 10, 2019

A humanização é o que impulsiona o crescimento das cooperativas de crédito

//

 

Com bancos tradicionais fechando agência e criando atendimentos por meio de robôs e uma onda de bancos digitais onde você nem sequer sabe o nome de seu gerente, as cooperativas de crédito oferecem como alternativa atendimento humano, empático e cordial.
De um lado, fintechs, bancos digitais, grandes investidores do Vale do Silício, vantagens para os usuários, grandes atrativos aos jovens e tecnologia de última geração. De outro, bancos centenários e tradicionais tentando se reinventar para se adequar aos novos tempos. Onde estão as cooperativas de crédito neste cenário?

Elas estão cuidando de gente. Literalmente. Enquanto os bancos e as grandes empresas enxugam suas estruturas físicas, automatizam o atendimento e buscam formas digitais para atingir públicos cada vez mais jovens, as cooperativas estão humanizando o atendimento, investindo em agências e no contato com as pessoas, inclusive as mais simples.

Um exemplo sintomático desse processo é a experiência de entrar em uma agência de uma das redes de cooperativas de crédito. A loja é projetada para não se parecer nada com um banco. “O propósito da nossa cooperativa é humanizar as relações financeiras e a gente trabalha fortemente com esse olhar. Recentemente, alteramos todo o layout das nossas agências, de forma que o cooperado não entre naquela casa e tenha um atendente atrás de um balcão e ele fique em uma fila esperando. Não temos mais balcões, trabalhamos no modelo co-working. Quando o cooperado entra na sala, ele é recebido por um colaborador, vai com ele até um espaço de café, levando seu computador, e atende o cooperado nos vários espaços à disposição, com design arrojado, leve, colorido e alegre. Isso tem feito uma grande diferença e ouvimos de nossos cooperados que eles vêm porque se sentem bem. Além de todos os benefícios da cooperativa, com a não cobrança de tarifas e taxas muito mais baixas, existe este valor do atendimento pessoal, que é muito importante para resolver tudo o que é necessário”, diz Solange Pinzon De Carvalho Martins, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Meridional, cooperativa de Toledo (PR).

Cenário positivo
Atualmente, as cooperativas de crédito brasileiras contam com mais de 10 milhões de associados, entre pessoas físicas e jurídicas. Já são 5,4 mil postos de atendimento, que representam 16% de todas as agências bancárias em território nacional, com presença em 2.500 cidades Brasil afora.

“As pessoas estão enxergando o valor das cooperativas de crédito. O cliente bancário brasileiro está carente de bons serviços a preços justos, juros baixos e atendimento personalizado. Ao conhecer a cooperativa e enxergar todo esse benefício, ele ainda se depara com o tratamento próximo e atendimento diferenciado. Com isso, a tendência é que essa força aumente e seja cada vez mais presente no Brasil. A revolução digital chegou e as cooperativas de crédito têm um papel muito importante nessa onda também, usando as ferramentas mais modernas para o atendimento e suas operações. Vejo um futuro muito promissor”, diz Camila Viana, pesquisadora e professora universitária especialista em Cooperativismo.

Além dos atributos que atraem o grande público também nos centros urbanos, as cooperativas aproveitam um momento especial do mercado. O consultor Carlos Alberto dos Santos, da Cosinergia Finanças, crê que o cooperativismo tem um papel importante a cumprir. Recentemente, em sua palestra na Conferência Internacional de Inovação, realizada no Paraná, ele pontuou este momento de evolução: “Os bancos digitais têm espaço, vão crescer muito. Mas as cooperativas existem há 170 anos e estão absorvendo as mudanças da sociedade há muito tempo. Com a era digital, tudo ganhou velocidade, os processos de mudança são muito rápidos e profundos. Eu acredito que o futuro das cooperativas é muito promissor”.

Santos acredita que o aparecimento das novas modalidades não ameaça sua existência. Pelo contrário. “Os bancos tradicionais estão reduzindo sua presença física, fechando agências e isso tem aberto oportunidades no mercado. As cooperativas começam a ocupar fisicamente o espaço deixado pelos bancos e isso é muito emblemático”. Segundo o consultor, os bancos estão reduzindo de forma acelerada o relacionamento com os clientes e isso vai ter seu preço, “pois as pessoas querem um tratamento diferenciado”.

Agenda BC
Junto com essa onda de oportunidades, as cooperativas de crédito ainda vivem um momento propício do ponto de vista da regulação do Banco Central. Com o lançamento da Agenda BC, na qual o governo estabelece um compromisso com a inclusão, a competitividade, a transparência e a educação financeira, o papel das cooperativas fica ainda mais importante.

Essas novas diretrizes do Banco Central ajudam no trabalho de inclusão do público de baixa renda no sistema bancário, no crédito rural, na educação financeira, e na busca do fomento da produção rural e das pequenas empresas.

Além disso, o governo tem editado resoluções, por meio do BC, que facilitam o trabalho das cooperativas. Exemplos são a Resolução 3.106/2003, que estabelece a livre admissão de associados, a Lei Complementar n°130/2009, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), a e as resoluções que estabelecem regras de governança, nova segmentação e eliminação de restrições ao quadro associativo das cooperativas.

Assim, utilizando-se de seu legado de atendimento personalizado, presença local e relações sustentáveis, as cooperativas de crédito estão fazendo uso das tecnologias, das transações digitais e dos aplicativos e somando tudo isso aos princípios do cooperativismo para estabelecer uma nova era no mercado de crédito.


Panorama do sistema nacional de crédito cooperativo
As cooperativas aumentaram sua presença por meio de unidades físicas próprias em 7% no ano, alcançando 92% dos municípios da região Sul e 58% da região Sudeste.

•A quantidade de cooperados cresceu 9%, com taxa de crescimento de aproximadamente 18% das empresas e 8% das pessoas físicas.

•O crescimento da carteira de crédito do SNCC intensificou-se em 2018, em alinhamento com o atual movimento de recuperação da economia. O crescimento anual atingiu 23% em dezembro de 2018.

•As captações de depósitos de associados no SNCC cresceram aproximadamente 18%.

•Apesar de o estoque do sistema cooperativo representar apenas 7,9% do total de crédito varejo, sua atuação contribuiu significativamente na recente retomada do crédito.

•Em 2018, as cooperativas atuaram principalmente no crédito rural e no crédito pessoal sem consignação na carteira de pessoas físicas, e apareceram como forte opção para pequenas e médias empresas.

•Em valores agregados, as cooperativas singulares continuaram com PR (Patrimônio de Referência) suficiente para cumprir com folga as exigências mínimas estabelecidas pelas normas em vigor.

•A qualidade dos ativos de crédito das cooperativas é superior ao restante do SFN, mas essa diferença tem diminuído ao longo do tempo. Após queda em 2017, a cobertura dos ativos problemáticos do SNCC aumentou em 2018 e está em linha com a média do SFN.

•O Índice de Basileia (IB) das singulares caiu de 30% para 27%, resultante principalmente de mudança normativa e de alteração na composição dos ativos, consistente com o aumento da participação das operações de crédito no ativo dessas cooperativas.

0
January 10, 2019

Futuro de liderança

Programa do Sescoop qualifica jovens de 21 a 35 anos para fortalecerem a economia do país.

O sonho de muitos jovens é o de concluir o curso superior e, imediatamente, colocar à prova o conhecimento adquirido ao longo da graduação. Mas, na prática, isso não acontece com tanta frequência, o que exige ainda mais criatividade para, finalmente, conquistar o tão sonhado espaço no mercado de trabalho. No universo cooperativista, a dinâmica é outra. Isso porque o setor se preocupa com a qualificação de sucessores. Pensando nisso, o Sescoop – o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – acaba de selecionar 35 jovens para a primeira turma do programa Somos Líderes.

Direcionado ao público jovem (de 21 a 35 anos), o projeto atende à missão da Instituição: promover a cultura cooperativista e o aperfeiçoamento da gestão para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras. A lista com os nomes dos 35 selecionados está no site do Sescoop. O programa foi lançado em agosto deste ano e, ao todo, 1.553 moças e rapazes, moradores de todas as regiões do Brasil, se inscreveram na seleção.

“A iniciativa é mais uma oportunidade de colocar em prática a expertise que o Sescoop tem desenvolvido em prol da profissionalização da governança cooperativista. Devido ao seu elevado nível, o programa representa um marco na história da Instituição na medida em que forma jovens com as habilidades específicas para atuarem nas cooperativas brasileiras. Mais do que conhecer o cooperativismo, esses jovens vão vivenciar e divulgar a prática da cooperação, fortalecendo, ainda mais, o nosso modelo de negócios”, comenta o superintendente do Sescoop, Renato Nobile.

OBJETIVO

A expectativa é de que, a partir dessa iniciativa, sejam formadas lideranças conscientes e engajadas com o cooperativismo. Agora, os jovens aguardam o primeiro encontro do programa que vai ocorrer no dia 8 de outubro, na cerimônia do Prêmio SomosCoop – Excelência de Gestão, em Brasília.

ENSINO INOVADOR

O curso foi elaborado com metodologia inovadora por adotar soluções digitais, como a gameficação e as trilhas de aprendizagem online – recurso utilizado já no momento das inscrições. Essa formatação propicia um estudo mais livre, seguindo a ideia da heutagogia, onde o aluno é capaz de gerir o próprio aprendizado.

METODOLOGIA

Até abril de 2020, os participantes terão aulas virtuais e presenciais de assuntos como Tendência, Inovação e Liderança; Liderança no contexto cooperativista; Liderança no contexto organizacional; Liderança no contexto social; e Liderança no contexto político. Cada um desses módulos conta também com a disponibilização de conteúdo via podcasts, encontros virtuais em webnários e mentorias individuais.

Os módulos presenciais serão realizados em Recife (PE), Chapecó (SC), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). Todas as despesas com deslocamento, hospedagem e alimentação correm por conta do Sescoop. Com o intuito de viabilizar a concretização do aprendizado, estão previstas visitas técnicas a instituições e organizações que implantaram e que colocam em prática o conteúdo desses módulos.

COOPERANDO

E para provar que o cooperativismo é um modelo econômico capaz de aliar a experiência à vontade de aprender, os jovens também contarão com o acompanhamento dos dirigentes de cooperativas reconhecidas pelo Prêmio SomosCoop Excelência de Gestão, que vão atuar como mentores e fontes de inspiração, durante dois anos.

O programa Somos Líderes é uma iniciativa do Sescoop e conta com o apoio da consultoria HSM e da agência Eureca.

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/09/futuro-de-lideranca/

0
September 23, 2019

Competição Bancária e Juros mais Baixos Ganham Força com Cooperativas

Potencial deste segmento está na capilaridade de fornecimento de crédito a pequenas e médias empresas no interior brasileiro.

Na última reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), no final de agosto, foi aprovado um voto que não despertou maiores atenções e teve repercussão limitada, particularmente por ser árido e técnico.

Em resumo, a medida permitiu que as cooperativas de crédito no Brasil possam emitir Letras Financeiras (LF) para captação de recursos. Quem é da área comemorou. Quem não é deveria comemorar também.

A medida é mais um passo na transformação desse segmento, que vem crescendo exponencialmente. As cooperativas de crédito estão se consolidando como opção viável de competição bancária, uma alternativa aos grandes bancos e instrumento para reduzir as taxas cobradas dos clientes. Com o dinheiro mais barato, toda a sociedade se beneficia.

As Fintechs — empresas que trabalham para inovar e otimizar serviços do setor financeiro — costumam ser apontadas como principal ator que vai sacudir esse mercado. Mas um ex-diretor do Banco Central lembra que, ao crescerem, a maioria dessas startups acaba sendo incorporada pelos grandes bancos. “São as cooperativas que realmente vão proporcionar a competição”, diz ele.

Para a maior parte das pessoas que moram nas grandes cidades, as cooperativas podem parecer algo novo. Só que são uma novidade de 117 anos. Para registro, a primeira cooperativa de crédito no País (e na América do Sul) foi aberta em 1902, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul.

No interior do Brasil, elas são uma realidade que pode ser contada em grandes números. Têm 10,5 milhões de associados – 150% a mais que os 4,1 milhões em 2010 —, empregam 60 mil pessoas e atuam em 6.200 postos em todo o país.

Em 2018, o incremento da carteira de crédito delas foi de 23%, enquanto o resto do Sistema Financeiro se expandiu 7%. “Esse crescimento foi superior a todos os segmentos de instituições financeiras nos últimos cinco anos, considerando as modalidades de crédito de varejo”, atesta o BC.

O potencial das cooperativas está nessa capilaridade de fornecimento de crédito a pequenas e médias empresas no interior brasileiro. Elas estão em 200 municípios onde não existe nenhuma agência bancária e acrescentaram R$ 9,7 bilhões de crédito ao estoque de recursos para pequenas e médias empresas no ano passado.

No último ranking Valor 1000, divulgado em agosto pelo jornal Valor Econômico, o Sicoob e o Sicredi (os dois maiores sistemas existentes no país) aparecem entre os dez maiores bancos. Somadas, todas as cooperativas já são o sexto banco brasileiro, atrás do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Caixa e Santander.

O que oferecem para ganhar tal projeção? Como as tradicionais “caixinhas”, elas são administradas pelos associados, permitem atendimento direto ao cliente, com um custo menor e taxas competitivas. Organizadas em grandes sistemas ou de forma independente, as cooperativas têm garantias parecidas às de um banco tradicional. Não procuram ter lucro — precisam garantir que suas receitas banquem as despesas. Se houver sobras, elas retornam aos associados.

O governo está de olho nesse setor. A medida do CMN de agosto dará mais capacidade para essas cooperativas captarem recursos para emprestar. Em abril, elas já haviam sido autorizadas a captar depósitos de poupança rural, o que também amplia suas fontes de dinheiro.

Para o futuro próximo, a estratégia é expandi-las para as grandes cidades e as regiões Norte e Nordeste. Em junho, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, apresentou metas ambiciosas para 2022: aumentar a participação dessas cooperativas no sistema de crédito dos atuais 8% para 20% e ampliar dos atuais um terço para metade o número dos cooperados que ganham até dez salários mínimos. Vem briga boa por aí.

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/09/competicao-bancaria-e-juros-mais-baixos-ganham-forca-com-cooperativas/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+CooperativasDeCreditoNoBrasilENoMundo+%28Portal+do+Cooperativismo+Financeiro%29

Fale conosco agora