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August 11, 2019

Cooperativismo é a única saída para a humanidade

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Em uma sociedade marcada pelo individualismo e pela competitividade desenfreada, o cooperativismo aparece como um das formas sustentáveis para a manutenção de um relacionamento saudável das pessoas na busca por objetivos em comum, segundo o professor e filósofo Mario Sergio Cortella.

Autor de vários títulos sobre comportamento humano e questões sociais na atualidade, Cortella esteve no Estado recentemente para falar sobre a importância da responsabilidade social nas organizações para empresários de Venda Nova do Imigrante, a convite do Sicoob Sul-Serrano.

Ele ainda destacou, nesta entrevista exclusiva para a assessora de imprensa do Sicoob ES, Vera Caser, a importância da união como fator vital para a conquista de resultados duradouros e sustentáveis nos negócios e na vida em sociedade.

Confira a entrevista abaixo:

Professor Cortella, nesse mundo cada vez mais competitivo, o que as pessoas podem fazer para que a sociedade seja um pouco melhor?

O primeiro passo é entender algo que disse um dia Mahatma Gandhi, quando ele afirmou: “Olho por olho e uma hora acabamos todos cegos”. Portanto, há um limite para a competitividade. Ela precisa ser olhada como uma forma de estímulo ao aumento da nossa capacidade de ação, de trabalho e de produção, mas não pode ser a autofágica, destrutiva.

Ela não pode, de maneira alguma, ameaçar nossa capacidade colaborativa, porque nós somos animais muito agregados nas nossas relações de dependência. Deste modo, essa competição desarvorada, embora produza momentaneamente um nível de riqueza para uma parte das pessoas de maneira mais vigorosa, destrói parte do futuro, pois coloca uma condição que acaba gerando perturbações à vida em comunidade.

A competitividade também deixa um rastro de confrontos que acabam eliminando as condições de convivência. Por isso, a colaboração é uma marca que a gente pode ter.

Eu acho que uma das coisas que a gente deve formar, especialmente nas crianças e depois nos adultos, é a percepção de que na vida a regra jamais deve ser cada um por si e Deus por todos. Tem quer ser um por todos e todos por um.

Este é um movimento que melhora a condição de um futuro que seja muito mais integrado, mais feliz e que tenha uma abundância que não seja mero acúmulo.

O senhor poderia dar três dicas que as pessoas conseguiriam seguir no trabalho e que as ajudariam a criar um ambiente melhor no ambiente corporativo?

– A primeira dica é tentar organizar não apenas uma equipe de trabalho, mas uma turma.

Quando você estava na escola básica, tinha a sua turma. Você cresceu e hoje tem a sua turma de amigos, do clube, a turma de afeto, etc. A turma é aquela em que a gente dá o sangue pelo outro. Enquanto você tiver alguém da sua turma, pode ser que horário for, eles vão te socorrer ou estar onde você precisa. O espírito de turma é algo que é muito mais conectado do que o de equipe.

– A segunda delas é entender que hoje em dia a noção de competência tem que ser mais coletiva.

Há 30 anos, eu diria que a minha competência acaba quando começa o do outro. Hoje não mais. A minha competência acaba quando acaba a do outro, seja num grupo, numa área ou numa diretoria de uma cooperativa. Se alguém perde competência, eu perco. Se alguém ganha, eu ganho. Por isso, a regra mais inteligente para quem deseja estar no campo é: quem sabe reparte e quem não sabe procura, porque se alguém sabe algo e não reparte isso, ele enfraquece o grupo e a si mesmo. Se alguém não sabe algo e não pergunta, enfraquece a si mesmo, enfraquecendo também o grupo.

– A terceira grande condição é a presença da alegria.

O contrário de seriedade não é alegria, e sim descompromisso. Um grupo compromissado é aquele que se dedica à intenção do atingimento de metas e que faz aquilo que é necessário para o sucesso, sem perder a alegria. Ela move em nós energias que aumentam não só o nosso bem-estar, mas também a possibilidade de estarmos juntos de um modo que seja mais admirável. Claro que a alegria não é ficar brincando o tempo todo. A alegria é a possibilidade de não recusar os momentos em que a comemoração, o reconhecimento e a festividade devem vir à tona.

E na família, como os pais podem conservar a harmonia e um bom clima com os filhos para conseguirem competir com a internet e com as influências externas?

É uma consideração e uma orientação. A consideração é que a família não é e nem deve ser uma democracia. Adultos que entendam a família como uma democracia costumam fracassar no processo de formação dos filhos.

Uma democracia pressupõe direitos e deveres iguais. Numa família, os adultos responsáveis por crianças e jovens são as autoridades. Não há direitos nem deveres iguais. Que exista dignidade e respeito, não democracia, isto é, adultos que têm a tarefa de comandar, sem brutalidade e sem nada que arrisque a dignidade da outra pessoa, mas com firmeza naquilo que fazem.

Muitos pais acabam tendo uma submissão aos seus filhos e geram uma convicção muito perigosa nos jovens de que desejos são direitos. Desejos não são direitos, e sim vontades que precisam ser realizadas a partir de esforço.

Na minha casa, fizemos, quando meus filhos eram pequenos, a cada três meses, a semana sem micro-ondas, o que nos fazia ter que tomar todas as refeições daquela semana em conjunto. No começo, isso produzia um distúrbio, mas, aos poucos, aquilo se tornou um prazer imenso.

Outra coisa que fiz com os meus filhos e faço com os meus quatro netos é ensiná-los a cozinhar, desconectando-os e gerando neles a satisfação de terminar um prato, de ajudar, a servir e ouvir o outro dizer o que achou. É claro que você não vai colocar uma criança de quatro anos para manipular uma faca, mas ela pode lavar o tomate, descascar a mexerica, catar o feijão, e se envolver naquilo.

É muito comum você ter famílias que colocam os filhos para participarem da elaboração. A cozinha exige paciência, e o desenvolvimento dessa virtude faz com que a gente se desconecte daquilo que é desnecessário.

Você acha viável uma família propor uma semana sem internet, por exemplo?

Não tem necessidade, porque a internet está muito conectada ao nosso modo de vida, comunicação, capacidade de vigilância e trabalho. Mas, pode-se fazer com que ela seja colocada de um modo que não é contínua. Há muitas pessoas que já fazem isso hoje. Eu conheço muitos jovens de 18, de 20 anos que, quando chegam num restaurante, por exemplo, ou numa balada, fazem uma combinação de todos deixarem os celulares sobre o centro da mesa. Ou seja, é possível interromper a rotina de maneira que possamos ter outros olhares.

Como o cooperativismo pode contribuir para a transformação do meio em que vivemos?

O cooperativismo é a única alternativa que nós temos para não desagregar o conjunto da humanidade. Há muitas sociedades que são cooperativas, mas nas quais não há janelas para o termo cooperativismo. Eu conheço muitas comunidades – especialmente em nações indígenas no Brasil ou mesmo em grupos na África, nas sociedades tribais – que têm uma vida cooperativada, sem que haja o conceito formal ou a necessidade de organização de uma estrutura.

No conjunto da humanidade, o cooperativismo, com a sua percepção de trabalhar junto, de colaborar e de partilhar o resultado daquilo que tem, é a única maneira que temos de não apodrecer nossa condição de vida coletiva. Por isso, é sempre uma forma de orientação daquilo que vai impedir a falência da nossa capacidade de vida em conjunto. Portanto, não é isento de questões, problemas e turbulências. Mas, tal como disse Churchill, que a democracia é o pior dos modos de governo, exceto todos os outros, nós também podemos dizer que o cooperativismo é a pior forma de trabalho em conjunto, exceto todas as outras.

fonte: http://www.mundocoop.com.br/entrevista/mario-sergio-cortella-cooperativismo-e-a-unica-saida-para-a-humanidade.html

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April 11, 2019

Copom corta Selic para 5% ao ano

Meta para juros básicos do Brasil foi cortada em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira (30/10/2019).

Como esperado pelo mercado, e sugerido no último corte de juros no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu prosseguimento ao ciclo de redução da meta para os juros básicos (Selic) nesta quarta-feira (30).

Os juros de referência no país perdem agora mais 0,5 ponto percentual, indo a 5% ao ano – renovando o seu menor piso histórico. A decisão dos diretores do BC foi unânime.

Além disso, o BC sinaliza que, em dezembro, a taxa Selic deve cair para 4,5% ao ano, dizendo que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude”.

De acordo com o comunicado do Copom, “diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”.

Ou seja, a inflação segue sob controle, o que permite juros menores na visão dos economistas da autoridade monetária.

A taxa passa a valer a partir desta quinta-feira (31) e fica vigente até, ao menos, 11 de dezembro – quando as apostas médias apuradas pela pesquisa Focus apontam para nova tesourada do Copom, o que levaria a Selic aos 4,5% ao ano.

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/copom-corta-selic-para-5-ao-ano/

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October 28, 2019

Metas para cooperar com o mundo

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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas priorizam uma sociedade mais justa, respeito ao meio ambiente e sustentabilidade. E as cooperativas estão fazendo seu papel.
No ano de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um documento que foi assinado por 179 países, incluindo o Brasil. De importância crucial para o futuro das nações e da sociedade, ele estabeleceu a Agenda 2030, um conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos a partir de uma longa experiência da ONU em promover uma sociedade mais justa e que respeite o meio ambiente.

São 17 objetivos no total, que convergem entre si. Integram temas como consumo sustentável, mudança climática, desigualdade econômica, inovação, diversidade, paz e justiça. Os ODS se desdobram, ainda, em 169 metas que integram a Agenda 2030.

Plano de ação para a humanidade
Esta Agenda é um verdadeiro plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. E um dos maiores desafios que ela traz é a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema.

Metas adequadas à realidade brasileira
Ainda em 2015, quando as ODSs foram lançadas, o Brasil criou um relatório pioneiro readequando as metas à realidade e às prioridades do País. De um total de 169 metas globais encaminhadas pela ONU, 167 foram consideradas pertinentes ao País. Foram promovidas alterações em 124 destas, adequando-as à realidade brasileira, conferindo mais clareza ao seu conteúdo original, ou quantificando-as com maior precisão. Em alguns casos, foram ampliadas metas já alcançadas pelo Brasil, como a taxa de mortalidade materna – a meta nacional é de no máximo 30 mortes por 100 mil nascidos vivos, contra uma meta global de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos. Também foram incluídos oito novos compromissos, como o que prevê a conservação de pelo menos 25% das zonas costeiras e marinhas.

Cooperação verde
Dentro do mundo do cooperativismo, ações como a do Sicredi estão ajudando no cumprimento das metas da ONU. Este exemplo de preservação do meio ambiente mostra como eles estão fazendo isso e atendendo a cinco metas simultaneamente.

No Paraná, a cooperativa de crédito criou o projeto Ecoeficiência, que tem como objetivo neutralizar as emissões de CO2 de suas agências dos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. A ação concluiu o plantio de nove mil árvores em 2019, que equivalem à neutralização de 3.516,2 toneladas de gases estufa.

As árvores estão no Parque Estadual das Araucárias, área de proteção ambiental que fica entre as cidades de Galvão e São Domingos, em Santa Catarina. “O apoio da Central e das demais cooperativas Sicredi é muito importante porque para nós esse é um momento histórico. O grande objetivo é fazer com que as emissões, que são inerentes a nossa parte operacional (luz, emissões de gás carbônico, consumo de papel), não causem impactos ambientais. Desta forma, estamos contribuindo com a conservação e restauração da natureza”, disse o presidente da cooperativa, Clemente Renosto.

A ação do Sicredi tem conexão direta com as 17 metas sustentáveis da ONU e, isoladamente, atende a pelo menos cinco das metas. Além de contribuir com o meio ambiente, o projeto do Sicredi reforça as raízes nas regiões onde atua. “Muitas empresas acabam optando por realizar ações para minimizar o impacto em lugares distantes, como a compra de créditos de carbono ou reflorestamento em outros países. No nosso caso, essa cerimônia de conclusão apenas comprova a nossa escolha por valorizar as pessoas, os associados e as comunidades onde atuamos, como afirma nossa missão”, explica o presidente Nacional do Sicredi e da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock.

A cooperativa mantém, desde 2017, o selo prata do Programa GHG Protocol, que tem parâmetros internacionais de controle de emissões de gases nocivos ao meio ambiente. No Brasil, o programa é coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As empresas devem contribuir com a meta assumida pelo País no Acordo de Paris: o acordo oficial prevê que, até o ano que vem, as emissões de gases sejam reduzidas entre 36,1% e 38,9%. “Independentemente do setor e do tamanho, as empresas causam impacto de acordo com suas atividades. Nosso propósito é sempre buscar melhorias de nossas políticas para darmos o exemplo para os nossos associados e para a comunidade”, ressaltou Dasenbrock.

Como o cooperativismo pode contribuir?
Em março deste ano, o diretor social da ONU, Maxwell Haywood, reuniu-se em São Paulo com líderes do cooperativismo mundial e autoridades brasileiras no Seminário Internacional “O Cooperativismo e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Combinando Impacto Econômico e Social por um Futuro Melhor”.

O evento, promovido pela Unimed do Brasil e pelo Sistema OCB, foi realizado para debater um plano de ações para os próximos anos para contribuir com a busca pelos 17 objetivos sustentáveis.

De início, o debate teve base nas grandes contribuições que as cooperativas podem dar para o alcance das metas, e seu trabalho, que já é feito há 170 anos no Brasil. Basta comparar as metas com os sete princípios básicos do cooperativismo: Adesão livre e voluntária, sem discriminação social, racial, política, religiosa ou de gênero; Gestão democrática por todos os membros; Participação econômica; Autonomia e independência; Educação, formação e informação; Intercooperação e Interesse pela comunidade.

Ninguém fica para trás
“Trabalhemos nas fortalezas das cooperativas enquanto juntamos os esforços para implementar a Agenda 2030 e assegurar que ninguém fique para trás”, disse Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo as agências internacionais, o trabalho humanizado é um mecanismo fundamental para a inclusão e a justiça social, disse Ryder, destacando o trabalho decente como um dos ODS. A ordem é que ninguém fique para trás e todos tenham direito ao acesso ao trabalho decente e bem remunerado.

A semente plantada em nosso País pelo cooperativismo mostra que o trabalho está no caminho certo. No Brasil de hoje, 46% de toda produção do campo passa de alguma forma por uma cooperativa. O cooperativismo é responsável por quase 11% do PIB agropecuário brasileiro. Cooperativas ajudam populações do interior a ter acesso a crédito, luz elétrica, educação e a diversos outros recursos preciosos. Já geram 370 mil empregos diretos em todo o Brasil e estão estimulando uma melhor distribuição de renda. Desse jeito, as 17 metas não parecem tão inatingíveis.


Conheça as 17 metas
1. Erradicação da pobreza: a ideia é acabar com a pobreza em todos os lugares do planeta e garantir o acesso de todos à educação, saúde, alimentação, segurança, lazer e oportunidades de crescimento.

2. Fome zero e agricultura sustentável: este objetivo consiste no alcance da segurança alimentar para todas as pessoas, além de uma melhor nutrição por meio da promoção de uma agricultura sustentável.

3. Saúde e bem-estar: sua meta é assegurar que todos os cidadãos tenham uma vida saudável e bem-estar, em todas as idades e situações.

4. Educação de qualidade: a educação deve ser acessível a todos, de modo inclusivo, equitativo e de qualidade. Além disso, deve promover a aprendizagem ao longo da vida.

5. Igualdade de gênero: todas as mulheres e meninas precisam se sentir empoderadas. A igualdade de gênero deve ser garantida em todos os setores da sociedade.

6. Água limpa e saneamento: o manejo sustentável de água e o saneamento devem ser garantidos a todas as pessoas.

7. Energia limpa e acessível: este objetivo procura garantir, a toda a sociedade, o acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável.

8. Trabalho decente e crescimento econômico: a orientação deste objetivo é promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, além das oportunidades de um emprego pleno e produtivo para todos.

9. Inovação infraestrutura: a infraestrutura das cidades deve promover uma industrialização inclusiva e sustentável, fomentar a inovação e gerar oportunidades de emprego. Além disso, deve integrar a sociedade para uso inclusivo dos espaços públicos.

10. Redução das desigualdades: este objetivo consiste na busca pela redução das desigualdades em todas as suas esferas.

11. Cidades e comunidades sustentáveis: as cidades e os assentamentos humanos deverão ser inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

12. Consumo e produção responsáveis: com apoio das instituições públicas e privadas, deverão ser assegurados padrões de produção e de consumo que sejam sustentáveis e conscientes.

13. Ação contra a mudança global do clima: deverão ser tomadas medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e reverter os seus impactos.

14. Vida na água: os ecossistemas aquáticos e recursos hídricos também devem ser respeitados, por meio da conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e rios.

15. Vida terrestre: o objetivo indica a proteção, recuperação e promoção do uso sustentável dos ecossistemas terrestres. E também o manejo sustentável das florestas, o combate contra a desertificação e a adoção de medidas para reverter a degradação do planeta e a perda da biodiversidade.

16. Paz, justiça e instituições eficazes: as sociedades deverão ser pacíficas e inclusivas, proporcionando para todos o acesso à justiça. As instituições devem ser eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

17. Parcerias e meios de implementação: o último objetivo prevê uma parceria global para a sustentabilidade, fortalecendo os meios de implementação.

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October 14, 2019

O cooperativismo de crédito e a regulação para a proteção de dados

Um novo e grande desafio se avizinha para as empresas brasileiras de todos os ramos. A Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD (Lei 13.709/18), que entra em vigor em agosto do próximo ano, estabelece direitos, deveres e princípios que deverão ser considerados sempre que houver algum tipo de tratamento de dados pessoais de consumidores e usuários de serviços. Essa legislação é aplicável a todos os setores da economia e a empresas com sede no exterior, como Facebook e Google, quando atuantes no País.

Os efeitos desse novo marco jurídico vão respingar fortemente no setor financeiro que tradicionalmente lida com dados extremamente sensíveis de seus clientes, e que vão muito além do nome e do registro dos seus documentos. Não podemos esquecer que bancos, cooperativas de crédito, financeiras e outras instituições atuantes nesse mercado coletam, armazenam, compartilham e, muitas vezes, também promovem o tratamento de informações extremamente pessoais, como é o caso dos perfis de crédito, dos ativos e das dívidas dos correntistas, sejam eles mutuários ou investidores.

Para lidar com a LGPD, as empresas brasileiras precisam iniciar, de imediato, o processo de adequação, que impõe preparação técnica e gerencial de modo a atender ao rigor da legislação. E isso é urgente, pois, segundo especialistas, esse trabalho pode durar de 6 a 12 meses e consumir pesados recursos humanos, tecnológicos e de governança, notadamente investimentos em segurança digital e treinamento.

Um bom planejamento para a implantação adequada da LGPD na organização não pode prescindir de etapas como definição de políticas e orçamento, mapeamento dos processos vinculados, adequação dos contratos, avaliação dos sistemas e capacitação dos funcionários dos níveis técnico, gerencial e de relacionamento com o cliente.

Lembro aqui que a nova legislação prevê pesadas sanções em face a seu descumprimento que incluem desde advertência, multa a até uma possível proibição das atividades relacionadas ao tratamento de dados pessoais. As multas podem chegar a até 2% do faturamento do ano anterior da empresa, limitadas a R$ 50 milhões, por infração.

Para exemplificar a “mão pesada da lei”, recentemente, no Reino Unido, país que já possui legislação em vigor, a British Airways foi multada pelo Information Commissioner’s Office (ICO) em mais de R$ 900 milhões por vazamento de dados pessoais de seus clientes, causado por invasão de seus sistemas por hackers.

Com relação às Cooperativas de Crédito, que atuam em mercado altamente fiscalizado e regulado e num ambiente de negócios cercado por medidas de segurança e proteção ao sigilo, com pesados investimentos em tecnologias e processos contra invasões e vazamentos – até pela natureza da atividade e dos serviços que oferecem -, urge redobrar a atenção e a prudência para se adequar tempestivamente à nova legislação e ao zelo do regulador Banco Central do Brasil.

O BCB, preocupado com a segurança e solidez do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, divulgou, em abril de 2018, a Resolução CMN 4.658, que antecipa a necessidade, para as instituições financeiras, da gestão urgente do risco cibernético, preconizado pela LGPD.

A Resolução dispõe sobre a política de segurança cibernética e alguns procedimentos a serem adotados no momento de contratar serviços de processamento e armazenamento de dados e de computação em nuvem. Segundo o Diretor de Regulação do BCB, Otávio Damaso, a Resolução busca maior proteção do sistema financeiro frente aos riscos decorrentes da crescente sofisticação dos ataques digitais.

Para evitar situações adversas, como a que passou o Banco Inter, em maio de 2018, que sofreu vazamento dos dados de quase 20 mil pessoas, entre correntistas próprios e correntistas de outros bancos, vale a pena investir em ações preventivas e no cumprimento da legislação, evitando assim perdas financeiras e de credibilidade, muitas vezes irrecuperáveis.

Nesse sentido, a nova regulamentação, estabelecida na Resolução 4.658, é extremamente importante ao passar a exigir das instituições financeiras, incluindo as Cooperativas de Crédito, práticas efetivas na gestão de riscos, no compliance e controles internos dos dados capturados, bem como certificações de governança corporativa e de sistemas, especialmente nos casos em que há perigo de exposição de informações sigilosas dos correntistas e associados.

Os procedimentos operacionais exigidos pela Resolução em destaque envolvem desde a realização periódica de testes e varreduras para detecção de vulnerabilidades, até o uso de mecanismos de rastreabilidade, normas de segurança contra acessos não autorizados, controles de acesso da rede de computadores e a manutenção de cópias de segurança dos dados e das informações. Mas, atenção: é importante entender também que o atendimento a essas normas não é um compromisso exclusivo da área de TI. Todas as áreas devem ser envolvidas na constante busca por segurança cibernética, incluindo os colaboradores.

A Resolução 4.658 já está em vigor, sendo importante começar desde já, na sua cooperativa, as medidas internas para adequação à nova legislação, até porque não sabemos quando e de onde virá o próximo ataque cibernético que poderá ferir mortalmente o nosso negócio e expor nossos cooperados a situações por vezes vexatórias. Vale a reflexão: o quanto isso compromete a instituição? Como o descuido ou a falta de cuidado pode levar a impactos muitas vezes nocivos à imagem da empresa? Quais seriam os efeitos na credibilidade de todo o cooperativismo financeiro no caso de vazamento de informações sigilosas e estratégicas de cooperados?

Face à importância do tema e entendimento de todo o processo envolvido, advogados especializados na área estarão entre os palestrantes do 2º Fórum Integrativo Confebras, que será realizado nos dias 10 e 11 de outubro, no Centro de Convenções Parque Cidade Corporate, em Brasilia.

Afinal, a segurança e proteção de dados nunca esteve tão em evidência no cenário nacional, de forma a impactar a todos os setores, sem distinção. Nós, do segmento cooperativista, vamos unir forças para estar à frente deste desafio e trazer ainda mais segurança a todas as pessoas que utilizam os serviços de nossa rede em todo o País.

Kedson Macedo é Presidente da Confebras e Diretor Executivo na Cooperforte

 

fonte: https://cooperativismodecredito.coop.br/2019/10/o-cooperativismo-de-credito-e-a-regulacao-para-a-protecao-de-dados-por-kedson-macedo/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+CooperativasDeCreditoNoBrasilENoMundo+%28Portal+do+Cooperativismo+Financeiro%29

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